17/10/2014

Long Shot- Capítulo 2: Fantasmas de um passado perdido


OE E-E
Como vão? Ninguém liga pra como eu vou, então, direto ao ponto.
Depois de meio bilhão de ano, três revisões por conta de plágio e uma pausa para um lanchinho, o capítulo 2 da Long Shot está pronto. É isso. Vocês já sabem onde clicar.
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Maddie’s POV
Era um dia de primavera. Considerando que, na Inglaterra, faz 20 graus no verão, eu estava com uma roupa quase completamente preta. Não faria diferença, de qualquer forma, porque eu sou uma vampira. Vampiros produzem um nível mínimo de calor e recebem quase a mesma quantidade. Somos seres frios.
Obviamente, havia algum motivo para eu estar na Inglaterra. Ainda mais naquela parte da Inglaterra: Andromeda e Synnove haviam resolvido que precisavam ter uma reunião comigo naquele palácio em que a maioria dos vampiros da nossa dinastia que não tem que morar com os pais, ou mandar num reino, mora. Eu não entendo porque elas não mandam uma mensagem de texto ou coisa do tipo. Minha preferência era um bilhão de vezes ficar em Salem. Lá não é frio, lá tem internet, lá tem os meus amigos e meus video-games. Eu não preciso de mais nada para ser feliz, preciso?
E em que parte da Inglaterra eu estava? Bem diante do palácio onde eu cresci. Assim que eu e Natalie fugimos, nossa mãe se mandou de lá para Greenwich com meus outros irmãos. Ninguém gostava daquele lugar. Muito menos eu.
O portão de metal estava enferrujado, de forma que eu não precisei usar magia para abrir, ou usar um grampo de cabelo na fechadura. Só empurrei o portão e ele abriu, fazendo barulho de enferrujado. Andei pelo jardim que contornava o palácio. Outrora ele fora lindo, cheio de flores e plantas, podado e verde. Agora, como o resto do castelo, estava abandonado, velho, enferrujado, sujo e seco. Eu não ligava. Tinha coisas para fazer lá além de sofrer por coisas imutáveis. Uma das minhas regras prioritárias é que o passado tem que ficar no passado.
Além disso, eu estava tão irreconhecível para aquele lugar quanto ele estava para mim. Sem vestidos cinzentos e escondidos. Sem cabelos presos e pretos. Sem ser desajeitada. Sem tropeçar nos próprios sapatos. Agora eu era mais alta, mais graciosa... meu cabelo tinha as pontas azuis e roxas, embora fosse preto, mas estava solto. Eu parecia um borrão preto no meio dali.
Algumas vezes, quando eu podia, saia de dentro do prédio pela janela do segundo andar e ficava sentada no jardim. Porém, eu sempre era obrigada a voltar pela porta dos fundos do térreo. Resolvi entrar, por uma última vez, no castelo, pela porta dos fundos. Estava tão enferrujada quanto o portão. Ela dava para o salão terciário. As paredes do salão algum dia tiveram papel de parede limpo e lindo. Hoje ele já havia se soltado bastante das paredes, e estava cheio de teias de aranha. Uma camada espessa de poeira cobria o chão, e aquilo não era nada bom para o meu nariz. Espirrei com uma intensidade que antes teria me rendido um tapa. Mas as pessoas que poderiam fazer isso agora estavam num palácio novo, mais ao sul da Inglaterra, ou numa mansão em Salem. Além disso, eu mataria qualquer um que ousasse encostar um dedo em mim. As coisas tinham mudado muito.
A poeira do chão abafava meus passos. Mas quem eles incomodariam? Fantasmas de um passado esquecido? Sombras de um pesadelo do qual eu tinha acordado havia muito tempo? E de qualquer forma, agora os meus passos eram tão leves que não emitiam barulho algum, mesmo no chão limpo.
Abri a porta para o corredor e comecei a vagar, como um espírito. Aquele lugar sempre foi frio. Não um frio acolhedor, no qual você tomaria chocolate quente e assistiria algum filme enquanto está enrolado nos cobertores. Era um frio sombrio, que congelaria suas veias e penetraria no seu coração até ele congelar. Um frio carregado de esperanças perdidas. O castelo continuava frio, mas tinha uma nova característica: agora estava empoeirado. À medida que eu andava, a poeira recuava de mim. Ela não era a única. Ninguém mais me desafiava. Ninguém conseguia, ninguém podia.
Cheguei de frente para a escadaria e subi dois lances de escada. Quando eu era pequena, eu tropeçava muito nas escadas, por causa da barra do vestido e dos sapatos largos. Uma roupa cinzenta para uma garota cinzenta, deprimida e cansada. Quase ri com a mudança: jeans pretos e colados; blusa roxo escuro; luvas e jaqueta de couro; coturnos estilizados. Eu subi as escadas, dois degraus por vez, sem cair e sem ofegar. Controlar a respiração era um dos meus grandes talentos, junto com quebrar regras de trânsito no GTA (e na vida real).
Comecei a rir do nada, empurrando no chão as estátuas que adornavam os corredores. Um retrato de família, sem mim, estampava a parede. Natalie parecia arrogante e mimada, diferente da garota atual. Meus irmãos não me achavam digna de ter retratos meus. Tirei meu celular do bolso e tirei uma foto de mim mesma sorrindo com ironia na frente da pintura. Um retrato meu, onde não deviam haver retratos meus. Uma pontada de rebeldia num lugar que não tolerava gente diferente.
E então percebi que corredor era aquele. Eu tinha coisas para fazer lá, o verdadeiro motivo de ter ido ao castelo: acabar com aquela droga de maldição de gente morta falando no meu subconsciente. Parecia uma reunião de família. As reuniões da minha família são barulhentas, cheias de gritos e irritantes. Imagine isso vezes três e no meio da sua cabeça. Skye podia ser uma vaca, mas era uma vaca que sabia aplicar maldições. Eu já havia tentado de tudo, mas aquela magia era mais antiga que eu.
Entrei no quarto que eu dividi com Natalie antes de sermos mandadas para nossas respectivas prisões. A coleção de bonecas dela era assustadora. Eu odeio bonecas, ainda mais de porcelana. Aquelas coisas são diabólicas. Mas eu não estava lá para admirar um possível cenário de filme de terror. Havia uma caixa embaixo da minha cama com um remédio que curava praticamente tudo. Era a última chance que eu tinha de me livrar daquele bando de malucos gritando. Fui até lá, me abaixei, peguei e abri o pote de pílulas. Engoli duas de uma vez. Repentinamente, os gritos acabaram. Restava apenas o vazio dos meus pensamentos sombrios e sóbrios. E uma mistura de guitarra, piano, violino e bateria. O tipo de música que eu considerava agradável. A harmonia anormal entre esses instrumentos era doce e ácida. Isso era tudo que eu precisava ouvir para soltar um suspiro de alívio.
Outra vantagem de estar naquele castelo era fazer o que nunca deixaram eu fazer. Fui para fora do quarto e segui para a biblioteca. Havia uma estante de livros em que nem meus irmãos podiam encostar. Meus irmãos não encostaram, eu nem ousei olhar para os livros. A biblioteca ficava no quarto andar, e eu sabia o que tinha que fazer. Chegando lá, vi que os livros eram altos demais, quase um metro acima de mim. Isso não era problema. Estalei os dedos, e, com um pouco de magia, os livros proibidos caíram aos meus pés. Haviam vários livros, todos diferentes. Livros de feitiços, livros de nomes... mas um livro em especial me chamou a atenção: Histórico de Profecias.
Sentei no chão e abri o livro. Dentro, ele era manuscrito, o que comprovava ser mais antigo que eu. A maioria das páginas continha apenas uma folha borrada, e não havia índice no livro. Folheei até que uma frase coisa me chamou a atenção: o ano do meu nascimento. 613. Estava escrito no topo da página, como um título. Havia um papel prateado, quase como um post-it, cobrindo algo embaixo do ano. Obviamente, eu deixei a curiosidade me tomar. Assim que eu o levantei, me senti como se estivesse sendo sugada. Fechei os olhos, e quando os abri, estava no meio de uma sala escura. Sabia, de alguma forma, que lugar era aquele: o oráculo. Uma mulher estava na frente de uma bola de cristal cheia de névoa azul. A bola falava com ela, emitindo uma voz melodiosa e cheia de eco:
- Rebecca, você guarda em si crianças muito especiais. Uma tem o poder de acabar com o mundo, outra tem o poder de salvá-lo. Criai-as separadas, pois isso dará poder para elas.
- E como eu vou saber qual delas pode destruir o mundo? – questionou Rebecca Bloom, a minha mãe. Ela parecia igual a atualidade, mas a roupa era mais brega.
- Você saberá. Ela será... diferente. Estará praticamente obvio. Uma alma sombria, com um coração tirânico. Trate-a como inútil, como diferente, e isso apagará seus poderes. Ela será mais sensível que os outros, mais delicada, mais fácil de destruir.
- E o que mais?
A névoa ficou esverdeada.
- Ocorrerá algo grande em que você deve acreditar nela, e não em qualquer outra pessoa. Mas puna ambas - a voz parou, como se estivesse respirando fundo – Elas não serão exatamente vampiras... serão metamórfogas, ambas tendo poderes de feiticeiros e fadas, anjos e demônios. Sim, terão poderes de vampiros, mas terão junto com outras espécies. Elas não precisarão de sangue, mas isso as fortalecerá. Vão parecer vampiras, mas não serão. Serão algo mais... diferente. Mais poderosas, de um modo errado para o que elas devem ser. Mais racionais, mais estranhas. Os metamórfogos são uma espécie rara, muito rara.
A cena mudou. Eu reconhecia aquela. Uma garotinha corria da outra, no meio de uma floresta. Névoa verde circulava o local, dando-o um ar sombrio. Meus poderes, meus poderes que realmente podiam destruir o mundo.
Repentinamente, voltei para a biblioteca, recebendo uma grande pressão na cabeça. Quando olhei para a franja que caía nos meus olhos, ela era dourada. Dourada como eu nunca tinha conseguido fazer desde que me lembrava. Cor de ouro, brilhante como glitter. Loira. Todas as janelas do cômodo haviam estourado. Eu havia perdido o controle dos meus poderes por um momento. Breve, porém crucial. Isso não importava. Eu havia descoberto que era má, pelo menos por dentro. Má. Tirana. Meu cabelo parecia glitter, mas eu não me sentia como glitter. Eu me sentia um lixo. Respirei fundo. Tomei uma decisão: alguém teria que me impedir de destruir o mundo, e esse alguém seria eu, mesmo que me destruísse junto.
Enfiei os livros proibidos na minha bolsa. Apesar de eu preferir a Wikipédia, talvez houvesse algo bom lá. Me levantei e espanei a poeira das roupas. Sentei no corrimão para descer, e fui até o segundo andar.
No corredor, entrei em uma porta de outro salão: a sala do trono. Eu costumava fazer uma reverência quando entrava lá, para meus pais. Mas eles não estavam lá, e nunca mais voltariam. Fui até os tronos, fiz a reverência mais sarcástica que pude e me sentei num deles. Não com imponência e severidade, mas como os pés caindo para fora e as costas apoiadas nos braços do trono. Eu sabia sentar lá corretamente, fazer o ângulo certo na coluna... mas era muito mais fácil, mais realista, mais eu, me sentar como eu estava sentada.
Logo, a rebeldia daquele ato tornou-se entediante. Voltei para o corredor e fui até seu final. Havia uma janela lá. Era lá onde ficava a janela por onde eu saía. Acendi uma pequena chama na minha mão, e a espalhei pelo chão. Usei meus poderes com vidro para quebra-lo e saí pela janela. Dei um mortal até o gramado e me sentei lá, observando o palácio queimar. Queimando o meu passado, e seus segredos juntos.

Algumas coisas realmente precisavam ser queimadas e enterradas.
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Então, o que acharam do capítulo? Comentem!
~Lala

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17 comentários:

  1. Capítulo Divo <3
    Eu não tenho o que dizer, porque quando eu eu estava pensando no que comentar, só pensava na senhorita você sabe quem, porque eu não gostei dela desde o principio.

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  2. Que capítulo loko -q
    A rebeldia tomou conta dessa menina huahuahua Tá,parei.Enfim,adorei o capítulo,diwo como sempre <3 "Controlar a respiração era um dos meus grandes talentos, junto com quebrar regras de trânsito no GTA (e na vida real)." Ri demais com essa parte :V

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    1. Maddie é V1D4 L0K4.
      Ela tem uma moto, o que é ilegal pra idade dela, e dirige a moto no mínimo com o dobro do limite de velocidade. Imagina saporra no GTA

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  3. Eu queria saber escrever como você, ou pelo menos ter a sua criatividade <3
    #MORREJAKE
    #OJAKEMERECEPERDEROBILAU
    (não esqueci das réshtég)

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    1. cara eu tinha escrito um comentário maior e a porra apagou tudo D: tomanocu
      o que eu disse:
      O CAPÍTULO SAMBOU. FICOU DIWO. MUITO MUITO MUITO DIWO. E UMA DAS MELHORES PARTES É QUE O JAKE NÃO APARECEU.
      ESSA HISTÓRIA VAI LACRAR. PRECISO DO TERCEIRO CAPÍTULO LOGO.

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    2. Eu não sei que criatividade, considerando que esse capítulo parece meio plágio do livro Cidade de Vidro, e o próximo vai parecer com de A Esperança. Masok.
      ADOREI O EXCESSO DE ADJETIVOS PARA DESCREVER COMO O CAPÍTULO ESTÁ FABULOTÁSTICO E0E

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  4. MADDIE TÁ MT ZIKA DA PARADA
    GOSTO DELA ASSIM (e de preto)
    LET IT BURN LET IT BURN q
    ELA N GUARDA RANCOR. ELA GUARDA É NOMES -não
    Desculpa não comentar antes, mas o capítulo com certeza foi um dos mais pika das galáxia. Os "metamórficos" surgem como? Tipo, eles são escolhidos pra serem assim ou sei lá o que (pergunta idiota merece uma resposta idiota msm)
    ESPEROQUENÃODEMOREUMMILÊNIOPROPRÓXIMOSENÃOVOMEENGOLIRAQUI
    tiau ;u;

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    1. GÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓHTIKAAAAHHH
      GUARDA NOMES E FACAS.
      <33
      Os metamórficos são escolhidos pelo destino quando o mundo está em decadência e precisam de alguém pra salvar. Eles são escolhidos antes do nascimento.
      OCAPTAQUASEPRONTOE-E
      BAI '3'

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  5. Eu ligo pra como você está...

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  6. vc eh linda o cap tbm!

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    1. Obrigada pelo elogio... mas como você sabe que eu sou linda se nunca viu uma foto minha?

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  7. Tô com sérios problemas para me conectar a minha conta...

    Eu JURAVA que já tinha comentado e que o capítulo postado a um tempão, mas só estava lembrando do meu spoiler E-E

    Eu li de novo e tá parecido com o spoiler, e, já disse que tá muito bom.
    Eu não sei o que dizer, você já sabe que está ótimo :v
    Enfim, é issu :v
    ~Dane

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